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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Até que dia você vai ficar? - Léo Otaciano - Primeiras Impressões

Por Patricia Christmann



Ola meus lindos leitores.
Vocês sabem que fiquei super feliz com a parceria com o autor Leonardo Otaciano, e pra comemorar vim trazer as minhas primeiras impressões desse livro maravilhoso que acabou de sair do forno.


Até que dia você vai ficar?

Léo Otaciano
ISBN: B06Y4G3WFG
Ano: 2017
Páginas: 143
Idioma: português
Editora: Clube de Autores

Sinopse: Pelo sertão, muitos problemas graves geram sempre um alvoroço social mas perdem força quando o objetivo é o debate. Além da crítica sobre a seca no nordeste, os relatos em Até que dia você vai ficar?, são memórias da pequena Rafaela Silva, nordestina questionadora que envolvida em um círculo geoclimático, cultural e socioeconômico perdido, enfrenta e vê os seus amigos enfrentarem também os vários problemas causados por aqueles em que as crianças deveriam confiar e encontrar proteção: os adultos, descumpridores excessivos dos padrões morais.





Essa é a história de um povo que sofre, chora, padece. Mas que luta com garras e dentes para ter um mínimo de dignidade. Um povo sofrido que tem em sua fé a maior arma. Mas não a fé que se vê nas igrejas, com roupas de missa e joelhos no altar. Uma fé provada a cada minuto sob o sol escaldante e implacável, com os pés no chão seco e morto, de joelhos com o peso das lágrimas que viram pó antes mesmo de chegarem a terra. Uma terra morta capaz de destruir vidas. Mas que é a triste realidade de um povo que jamais abandonará suas raízes e que faz dessa terra morta sua vida. Que traz alegria nas gotas de chuva que vem a cada eternidade. Sim, para eles a seca pode durar uma eternidade já que o pior lado do ser humano é revelado com o sofrimento e, como nessa história, os mais inocentes são os que pagam com lágrimas de sangue.

Recebi o e-book a poucos dias e imediatamente comecei a lê-lo. Minha maior surpresa foi ao me deparar com uma história maravilhosamente escrita que já me conquistou no primeiro capitulo.
Um livro repleto de significados e que trás um apelo a toda a sociedade.
"Mas o ambiente ardente não se preservava somente lá fora. Debaixo do nosso teto, o clima também era quente. Quente e violento. Mostrando uma frequente face aflita e infeliz, mamãe escondia a causa da sua verdadeira tristeza, e eu, tão ingênua ou omissa, dissimulava a acreditar. Demorou um pouco para que eu descobrisse que ela não chorava só por causa das justificativas que apontava. A dor que ela sentia às noites, não era só na cabeça. Em meio às tantas angústias da escassez de água em nossa cidadezinha, descobri que mamãe também sentia dor no peito, no íntimo do coração e em muitas partes do corpo. Ela era vítima de uma angústia muito mais profunda do que aquele parida por causa da seca no sertão."

Filha de dona Jordina, Rafinha é uma criança feliz, na medida do possível, que descobre da pior maneira o que sua mãe é obrigada a suportar com Francisco, seu atual marido. Alcoólatra, violento e estúpido, ele sustenta a casa e a família já que nesse tempo de seca as plantações onde dona Jordina trabalha secaram.
"Entendi que aquele era o segredo de Jordina, a mulher mais forte que eu conheci na vida. O nome não a agradava, já eu o achava lindo, tão lindo quanto o seu humilde e encarquilhado rosto. O que eu não achei bonito e me marcou a partir de então, foi o seu chiado de dor, que logo deixava de ser ímpar tornando-se copiosos, presos na garganta, durante o tempo em que o seu anoso marido gritava aborrecido , palavras mal-apessoadas dentro do quarto."
Já de inicio Leonardo mostra-nos do que o ser humano é capaz e o que uma pobre criança precisa suportar para sobreviver nessa terra sem leis.
"Pude ver que Francisco estava sentado na outra ponta da cama, de cabeça baixa, com o velho chapéu de palha sobre os cabelos brancos e as mãos sobre os joelhos surrados pelo tempo, como se estivesse se preparando para continuar a agredi-la. Isso mesmo, mamãe era agredida. E não era a primeira agressão, agora eu entendia. Naquele início de madrugada a via em seu quarto, mas não do jeito que eu gostaria de vê-la."
Essa é a realidade de muitas mulheres pelo mundo a fora. Abusos que tornam-se comuns e que machucam a cada dia. E logo veremos o quão insuportável se tornará essa situação.

Rafinha, como toda criança tem seus amigos e esses serão de suma importância em seu crescimento e amadurecimento. Mas até que ponto poderão ajuda-la já que se encontram na mesma situação desumana que ela?
"A distância não permitia que fosse tão fácil. Se tivéssemos asas como as dos beija-flores, poderíamos alçar voo e nos encontrar mais vezes. Mas não era assim. Nada era assim. O sertão parecia gostar da solidão e o seu encanto parecia ser mesmo a mudez repetida."
Uma obra que promete trazer a tona vários problemas sociais causados inclusive pelo descaso da sociedade. Essa que esbanja do bom e do melhor e evita olhar para o povo que sofre e grita por socorro. 
"Era com aquilo que teríamos que viver como sempre fizemos, pelo menos até o dia em que as coisas ficassem boas de verdade. Não chovia há quase seis meses. Não sabíamos mais qual era o sabor da água da chuva caindo sobre os nossos rostos suados e escorrendo até os nossos lábios."
Um povo que busca forças em sua fé. 
Fé em dias melhores.
Mas será que esses virão?

Minha leitura foi ate o capitulo 6, e agora pretendo dar continuidade a essa obra tão prazerosa e sofrida ao mesmo tempo.
Um linguajar gostoso e divertido que conquista ao falar de algo tão serio.
E sim, a capa tem muito a falar. Concentre-se nela e lembre de todo o sofrimento do povo do sertão brasileiro, a terra seca e morta e as cercas que os prendem a um mundo desigual.

O que esta maravilhosa obra nos reserva?
Venha descobrir você também.


Abaixo, os links de onde encontrar o livro:
Em versão física no Clube:

Em versão digital na Amazon:

No Skoob:

Qualquer pedido, também pode ser feito diretamente com o autor por sua página no Facebook:


Beijinhos meus amores!