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segunda-feira, 17 de abril de 2017

[RESENHA] Até que dia você vai ficar? - Léo Otaciano

Por Patricia Christmann



Bom dia meus lindos leitores!
Semana passada eu trouxe as primeiras impressões de Até que dia você vai ficar? do parceiro Léo Otaciano. Hoje, finalmente, a resenha.





Até que dia você vai ficar?

Léo Otaciano
ISBN: B06Y4G3WFG
Ano: 2017
Páginas: 143
Idioma: português
Editora: Clube de Autores


Sinopse: Pelo sertão, muitos problemas graves geram sempre um alvoroço social mas perdem força quando o objetivo é o debate. Além da crítica sobre a seca no nordeste, os relatos em Até que dia você vai ficar?, são memórias da pequena Rafaela Silva, nordestina questionadora que envolvida em um círculo geoclimático, cultural e socioeconômico perdido, enfrenta e vê os seus amigos enfrentarem também os vários problemas causados por aqueles em que as crianças deveriam confiar e encontrar proteção: os adultos, descumpridores excessivos dos padrões morais.






Essa é a história de um povo que sofre, chora, padece. Mas que luta com garras e dentes para ter um mínimo de dignidade. Um povo sofrido que tem em sua fé a maior arma. Mas não a fé que se vê nas igrejas, com roupas de missa e joelhos no altar. Uma fé provada a cada minuto sob o sol escaldante e implacável, com os pés no chão seco e morto, de joelhos com o peso das lágrimas que viram pó antes mesmo de chegarem a terra. Uma terra morta capaz de destruir vidas. Mas que é a triste realidade de um povo que jamais abandonará suas raízes e que faz dessa terra morta sua vida. Que traz alegria nas gotas de chuva que vem a cada eternidade. Sim, para eles a seca pode durar uma eternidade já que o pior lado do ser humano é revelado com o sofrimento e, como nessa história, os mais inocentes são os que pagam com lágrimas de sangue. 
Uma história de dor, não somente para os personagens dessa maravilhosa trama, mas dor que eu senti no peito a cada dificuldade. A dor que vem de saber que é real, não essa história, mas o sofrimento de um povo que luta e sofre sem perder a chama da esperança. O povo do sertão, o nosso povo.

Rafinha é uma garotinha doce e amável que vive no sertão brasileiro. Ela sofre e luta a cada dia. Luta contra o clima, contra a fome, contra a maldade dos homens.
"Os relatos em Até que dia você vai ficar?, são rememórias da pequena Rafaela Silva, nordestina questionadora que envolvida em um círculo geoclimático, cultural e socioeconômico perdido, enfrenta e vê os seus amigos enfrentarem também os vários problemas causados por aqueles em que as crianças deveriam confiar e encontrar proteção, os adultos, descumpridores excessivos dos padrões morais."

Adultos que se deixam levar por seus problemas e despejam suas insatisfações nos mais fracos.
 "Mostrando uma frequente face aflita e infeliz, mamãe escondia a causa da sua verdadeira tristeza, e eu, tão ingênua ou omissa, dissimulava a acreditar. Demorou um pouco para que eu descobrisse que ela não chorava só por causa das justificativas que apontava. A dor que ela sentia às noites, não era só na cabeça. Em meio às tantas angústias da escassez de água em nossa cidadezinha, descobri que mamãe também sentia dor no peito, no íntimo do coração e em muitas partes do corpo. Ela era vítima de uma angústia muito mais profunda do que aquele parida por causa da seca no sertão."
Rafinha sabe da importância que Franciso, seu padastro, tem na casa. É ele que traz o sustento da família já que as plantações onde sua mãe trabalha secaram com tamanha estiagem que se abateu por toda a cidade. A fome esta frequente em praticamente todo o sertão. E será que algum dia ela vai embora?
Apesar de todo o sofrimento e provações, Rafinha e seus amigos jamais perdem a fé, mesmo que as vezes se questionem se esta existe mesmo.
Uma história divertida e gostosa que trata de temas muito importantes, fé, sofrimento, descaso e abuso. Abuso esse que a menina descobrirá da pior forma.
"Entendi que aquele era o segredo de Jordina, a mulher mais forte que eu conheci na vida. O nome não a agradava, já eu o achava lindo, tão lindo quanto o seu humilde e encarquilhado rosto. O que eu não achei bonito e me marcou a partir de então, foi o seu chiado de dor, que logo deixava de ser ímpar tornando-se copiosos, presos na garganta, durante o tempo em que o seu anoso marido gritava aborrecido , palavras mal-apessoadas dentro do quarto."

Saber o que sua mãe passa nas mãos do homem que deveria protege-la faz com que o medo sempre presente, aumente ainda mais. Quem deveria proteger é quem mais machuca. O maior monstro esta escondido sob a pele do homem. Mas até que ponto Dona Jordina aguentará? Será que Rafinha estará a salvo desse monstro?
"Pude ver que Francisco estava sentado na outra ponta da cama, de cabeça baixa, com o velho chapéu de palha sobre os cabelos brancos e as mãos sobre os joelhos surrados pelo tempo, como se estivesse se preparando para continuar a agredi-la. Isso mesmo, mamãe era agredida. E não era a primeira agressão, agora eu entendia. Naquele início de madrugada a via em seu quarto, mas não do jeito que eu gostaria de vê-la."
Sua unica salvação são os amigos que mesmo distantes de sua casa, sempre dão um jeitinho de se encontrarem para as brincadeiras de crianças. 
A vida no sertão nunca foi fácil, mas a seca consegue trazer um rastro de devastação inimaginável para quem nunca a sentiu na pele.
Uma seca capaz de esgotar até a ultima gota de água, levando juntamente toda a fé, esperança e dignidade que ainda existem.

Rafinha representa esse povo sofrido.

Exatamente, Rafinha está em muitas meninas do sertão. Que sofrem mas apesar de tudo ainda guardam um amor puro dentro de si.
Que sabem observar os sonhos apesar das circunstâncias ruins da vida.
Que conseguem sobreviver, viver e ir muito além.
A denúncia é contra o sofrimento, contra a falta de vergonha na cara das autoridades, contra os lobos agressores.
A pureza, o amor, a esperança estão nas personagens, até mesmo nos adultos.

Uma obra repleta de apelos que são desenhados com lagrimas e suor de um povo que grita e implora por ajuda. Um povo que jamais se entrega, que não perde a fé, e principalmente, um povo que sabe sobreviver ao mundo.
Uma capa que descreve em imagens a divisão existente entre adultos e crianças, a cerca que deve existir para proteger os inocentes das maldades. A terra morta que traz sofrimento. A vida difícil.
E na contra capa uma surpresa que me fez pirar olha meu nome aliiii!!!



Obrigado Léo por todo o carinho que tem para conosco.
Agradecemos por nos confiar em primeira mão essa magnifica obra que certamente será lembrada por muito tempo.







Venha descobrir do que um povo é capaz.
Desvendar os segredos da seca e maldade dos homens.
Será que Rafinha terá uma mão amiga para salva-la?
Ela e sua mãe vão sobreviver a mais uma seca?
O que esta maravilhosa obra nos reserva?
Venha descobrir você também.


Abaixo, os links de onde encontrar o livro:
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Agora me contem o que acharam!!

Beijinhos meus amores!