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segunda-feira, 26 de junho de 2017

[RESENHA] Encruzilhada - Lúcio Manfredi

Por Patricia Christmann


Ola queridos leitores.
Mais um belo livro ganha seu espacinho aqui.
Encruzilhada me foi apresentado como ebook pela parceria com a Editora Draco.
Vamos as apresentações!


Encruzilhada

 Encruzilhada

Lúcio Manfredi
ISBN-13: 9788582430644
ISBN-10: 8582430647
Ano: 2015
Páginas: 160
Idioma: português
Editora: Draco

Sinopse: Quando se está perdido dentro de si mesmo, como encontrar a saída?
Max é apenas um matador profissional em vias de se aposentar. Mas ao recusar o que deveria ser seu último trabalho, acaba se transformando em alvo. Fugindo de seus perseguidores, refugia-se numa casa aparentemente abandonada, onde se depara com acontecimentos misteriosos e estranhos fenômenos.
Portas que levam a cômodos que levam a novas portas e cômodos que não parecem interligados. Talvez a casa seja uma encruzilhada entre diferentes planos de realidade. Ou talvez tudo não passe de uma alucinação e Max tenha simplesmente enlouquecido. Mas alucinações não andam armadas e ele precisa lutar por sua própria vida enquanto tenta desvendar o mistério da casa.
Encruzilhada é um romance de suspense de Lúcio Manfredi, autor roteirista da TV Globo. Em uma mistura de ficção científica e horror, de mecânica quântica com umbanda, a trama se desenrola entre reflexões filosóficas e a busca da identidade. Quando devemos percorrer o labirinto de nossas próprias mentes, só resta o temor de ficarmos presos para sempre fora da realidade.

Disponível em: http://amzn.to/2u0Blie



Max é um matador profissional que acabou de entrar em uma enorme enrascada ao recusar o que seria seu ultimo trabalho.
Tendo que correr para salvar sua própria vida, ele acaba se refugiando em uma casa abandonada que parece ser uma fortaleza contra seus perseguidores. Belo engano.
Após algum tempo, Max começa a perceber que não esta sozinho na casa e que algo parece estar a espreita para pega-lo.
"Ele sabe que a casa está vazia, ou não teria entrado. Luzes apagadas, garagem vazia, um quintal coberto de poeira acumulada e folhas secas que se esparramam com a confiança de quem não espera ter que enfrentar a oposição de uma vassoura. Mesmo a roquidão da torneira, a água embarreirada que flui e que ele deixa escorrer por um tempo antes de se inclinar para frente e encostar a boca nos lábios frios de metal, contribui para sinalizar ausência, abandono e solidão. Max sabe do que a casa está falando. O que ele não sabe é porque a casa lhe fala dessas coisas."
Mas estaria realmente vazia?
As descobertas de Max nessa casa são de arrepiar. Cada comodo uma surpresa. Cada ruido, um sinal do que esta por vir. Mas como saber se realmente é real?
Encontrar fendas alternativas em meio ao emaranhado de portas e janelas que o prendem nesta casa velha o deixam maluco. As presenças que juntam passado, presente e varios futuros trazem a loucura para brincar.
E se não bastasse, ainda temos João Caveira, uma caveira de plastico que completa a brincadeira deixando Max ainda mais desconfiado.
Até poderia ser um sonho, uma alucinação, mas é melhor não arriscar pra ver se o tiro do revolver da alucinação pode machucar.
"Agora há pouco, eu disse que era uma casa mal-assombrada, mas é só força de expressão, que nessas coisas eu sou que nem o meu pai, não acredito em nada que não possa ser tocado, cheirado ou provado pela ciência. Por isso, tenho certeza de que existe uma explicação científica pra essa putaria toda e, de tanto queimar a mufa, acabei chegando a uma conclusão. Isto aqui parece uma casa, tem focinho de casa, rabo de casa, mas não é uma casa. A-há, aí é que está! Aposto que você não adivinha. Nem precisa se dar ao trabalho, você nunca vai descobrir. Pra isso, não basta que o crânio não seja de plástico, também é essencial que haja um cérebro dentro do crânio. Mas, como eu sou um sujeito bacana, eu vou te falar. Fica só entre nós, o resto do mundo não tá preparado para uma revelação deste porte. Esta casa – não, peraí, esqueci das aspas, elas são fundamentais. Esta “casa” só parece uma casa, na verdade ela é um ponto de intersecção entre vários universos paralelos."
Misturando os universos paralelos, Lucio Manfredi nos trás uma bela trama emaranhada repleta de encruzilhadas para confundir até o mais sábio leitor.
Divertido e intrigante, Encruzilhada vai lhe fazer repensar as verdades desse mundo.
"O cano da arma se ergue por um impulso que parece nascido antes da própria pistola do que da mão que a empunha. Desbrava as trevas, rasga a escuridão. Aponta para o caminho que a bala deve seguir, a trajetória de um cometa em meio à noite sem estrelas. O cão recua. O dedo aperta o gatilho. A arma dispara."
A emoção rola solta e ficamos tentando descobrir o que é verdade e o que é ilusão.
"É essa a história – Max diz e arremata a frase com um gole de cerveja. – Não sei se eu sou um matador aposentado que sonhou que era um adolescente drogado ou um adolescente drogado sonhando que é um matador aposentado. Me sinto como a borboleta de Chuang-Tzu."
Mas e se for real?
 "Max continua parado no centro da sala, o revólver que lhe balança inútil entre os dedos, impotente para protegê- lo até dos atabaques, quanto mais do cachorro que rosna ali mesmo, do lado, um rosnado de triunfo, de quem conseguiu transpor a porta entre o quintal e a cozinha, de onde emerge com os olhos sanguíneos, a boca pingando uma baba viscosa que goteja no tapete e se solidifica e se transforma em velas vermelhas e em velas pretas, as velas se acendem sozinhas, projetam sombras do cão na parede, bruxuleiam, e com o bruxuleio vêm as vozes, vozes de homem, de mulher, voz de criança, tudo misturado, tudo cantando junto, embalados pelo som dos atabaques."
E quando todos os Max se encontrarem? Qual será o final dessa encruzilhada?
"Peço para não morrer, para não morrer pelas minhas próprias mãos que são as mãos de um estranho, alguém que nunca vi e que me olha do fundo de um espelho envelhecido e eu rezo para que não me veja, para que eu possa voltar aos braços de Rosa que talvez seja minha namorada e talvez seja a Caveira Maldita, eu amo Rosa, acho, e acho que não amo a Caveira Maldita, espero, em desespero, uma corda sobre o abismo, um prenunciador do raio e uma pesada gota da nuvem, seus passos são o trovão que ribomba sobre o quarto dos fundos, o quarto onde não me encontro, ele vê que não estou lá e volta e hesita junto à escada e para diante da porta do banheiro, um instante mais e estará consumado, sinto sua mão se estender pelo ar e acariciar a maçaneta que se amolda suavemente à palma, a maçaneta gira, a porta abre e ele entra."
Uma leitura rápida e divertida. Uma linguagem simples e cheia de palavrões que torna tudo ainda mais hilario!

Venha desvendar os segredos dessa Encruzilhada. 
Você vai se perder nela também?





Beijinhos meus lindos!